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Recentemente, em uma conversa sobre fake news, percebi pelas opiniões e ponderações, que existiam abordagens distintas. Uns focavam na mensagem, outros no usuário ou no veículo. Me lembrei que já havia estruturado algo com estas perspectivas em minha dissertação: Indivíduo, informação e mediação. Juntando tudo, fiz o diagrama de Venn abaixo:

Diagrama de Venn das Fake News

Descrevi que existem diversas variáveis em cada campo de contribuição: Informação; Mecanismos de credibilidade e disseminação; e indivíduo. E as fake news, aquelas que produzem algum impacto efetivo, residem na interseção dos três campos.

Uma informação falsa não causa nenhum impacto se não tiver como chegar ao indivíduo, ou chegar a um número insignificante de indivíduos. Indivíduos predispostos a absorver determinada informação, mas sem acesso a ela, também não produzem impacto. Indivíduos sem esta predisposição não absorverão a informação falsa. Mecanismos e práticas de credibilidade e disseminação fazem estas pontes de forma efetiva. Fazer a informação certa encontrar o indivíduo predispostos a absorve-la é fundamental em todo o processo. Outro ponto é fazer com que esta informação seja disseminada e pareça factível e confiável..

Observe que ao definirmos três campos, suas características e elementos, torna-se possível identificar com mais clareza as variáveis e interseções que produzem impacto efetivo na questão das fake news.

Por isto, na construção de políticas públicas estes três campos não podem ser considerados de forma isolada, por exemplo não é eficaz focar somente na informação, ou somente na construção da competência crítica do indivíduo, ou ainda na identificação e regulação dos mecanismos de credibilidade e disseminação. Ao analisar em conjunto atingiremos a máxima eficiência para produzir as melhores políticas públicas de combate às fake news.

Sendo assim, acredito que a forma produtiva de estudar e discutir as fake news e as políticas publicas relacionadas, se situa na compreensão destes três campos e seus inter-relacionamentos.

Informação

Sem entrar em detalhes no tocante às definições de informação nas ciências da informação e comunicação, o que alias nos levaria à uma abordagem ampla, pela própria ambiguidade de sua definição, e ao mesmo tempo desnecessária neste contexto, sendo assim tomemos a informação como algo produzido com o intuito de informar, seja ela de que tipo informacional for.

A definição de informação neste contexto, esta ligado ao que Edson Tandoc et al (2018), descrevem em “Defining “Fake News”, como segue:

  • Sátira – Informações humorísticas com o intuito de apresentar uma representação exagerada e divertida de fatos atuais;
  • Paródia – Paródias são similares à sátiras, sendo que nem sempre os fatos ou personagens são representados diretamente;
  • Publicidade – Neste contexto os autores falam dos “informeciais”, que são peças de publicidade que se parecem com notícias;
  • Propaganda – São peças de informação criadas por ou para entidades políticas com o intuito de influenciar a percepção do público;
  • Manipulação – Neste contexto, os autores falam como exemplo, das fotos colocada ao lado de manchetes na mídia, que não necessariamente se relacionem com a notícia, mas que produzem uma associação clara;
  • Fabricação – São noticias não factuais fabricadas para se parecerem com notícias reais da mídia, com o objetivo de ampliar sua credibilidade.

Os autores determinam ainda dois domínios na definição das fake news: facticidade e intenção de enganar. A primeira dimensão, facticidade, refere-se ao grau em que notícias se baseiam em fatos. A intenção de enganar, refere-se exatamente a medida da intenção de enganar. Os autores relacionaram as definições e dimensões em uma tabela, onde se pode ver claramente os pontos em que o campo da informação necessita maior atenção.

Reprodução: Tabela 1 — A typology of fake news definition TANDOC et al (2018)

Qualquer tipo de informação onde exista a clara intenção de enganar e uma baixa factividade, necessita de atenção, tanto nas práticas de checagem, como na construção de políticas públicas. Muitas vezes, até uma sátira ou uma paródia podem ser utilizadas por terceiros com o propósito de enganar, mas isto não é problema da informação propriamente, está mais relacionado com o mecanismo de disseminação.

Indivíduo

O indivíduo pode ser o consumidor, produtor e mediador das informações, e no caso da mediação algorítmica, ele também pode ser mediado. Mediado no entendimento de que o algoritmo tem a autonomia de escolher e indicar os pares com os quais o indivíduo medeia, mesmo que esta escolha pareça ser objetiva. O indivíduo e suas informações mediados por algoritmos configuram o processo de modulação, conforme descreve Sergio Amadeu (2019). O indivíduo, é um ser humano, soberano, autônomo, um sujeito cognoscente com suas idiossincrasias, seus princípios, valores, e detentor um determinado grau de competência crítica, em campos de seu conhecimento.

O indivíduo cognoscente utiliza involuntariamente atalhos cognitivos, conhecidos por heurísticas ou vieses cognitivos. Leonard Mlodinow (2013) descreve em Subliminar, que o ser humano controla apenas 5% de sua função cognitiva, o restante é automatizado por atalhos cognitivos, as heurísticas. Pesquisadores já identificaram e sistematizaram mais de 100 tipos heurísticos, mas para não perdermos o foco, vamos focar nos mais importantes no contexto deste texto: Heurística de ancoragem, disponibilidade, representatividade e viés da confirmação.

Heurística de ancoragem

Em julgamentos sob incerteza, quando indivíduos necessitam fazer estimativas, eles tendem a ajustar sua resposta com base em algum valor referencial disponível, que servirá como âncora, e isto pode influenciar a resposta final.

Estudos mais recentes sugerem que a origem da ancoragem, esteja no processo da recuperação de informação, ou seja a presença da âncora pode determinar qual informação será recuperada pelo indivíduo.

Exemplo: Em um clássico estudo de Tversky e Kahneman (1974), foi solicitado que as pessoas estimassem a porcentagem de países africanos nas Nações Unidas e o grupo que recebeu o número 10 como âncora inicial (obtido por meio de uma “roda da fortuna”) estimou em 25% em média, enquanto que o grupo que recebeu o número 65 como valor inicial teve uma estimativa média de 45%.

(TONETTO, L. M. et al, 2006, p.183)

Heurística da disponibilidade

A facilidade com que um determinado fato é lembrado ou imaginado pelo indivíduo, pode determinar uma distorção na interpretação de outros eventos ou informações. Na prática as pessoas julgam com base na informação mais facilmente disponível em sua memória. Segundo Tonetto, L.M. et al (2006), experiências anteriores e informações acerca do fato são avaliadas de maneira vívida pela nossa mente, o que causa uma espécie de artifício cognitivo ou construção mental que chamamos de disponibilidade.

O estudo de Ciarelli e Avila (2009), mostra uma interessante perspectiva de como a mídia e a heurística da disponibilidade podem influenciar a percepção da realidade. Uma das formas de criar a disponibilidade é a repetição de noticias sobre determinado tema, outra forma é através de notícias que evoquem emoções no leitor.

Um exemplo, se a mídia gosta de noticiar sobre crimes, dando mais atenção à este tipo de notícia, para o indivíduo esta percepção estará mais disponível, fazendo-o julgar a criminalidade alta, mesmo que estatisticamente seja o contrário. Ou se a noticia por exemplo for sobre corrupção, frequente, e associada à determinado grupo político, o indivíduo julgará que este determinado grupo político é mais corrupto. A heurística da disponibilidade pode, em algum momento, estar ligada a construção do sistema de crenças do viés da confirmação.

Heurística da representatividade

A heurística da representatividade esta de algum modo ligada à heurística da disponibilidade. Essa representatividade, por sua vez, é determinada pela grande similaridade de um evento específico com a maioria dos outros de uma mesma classe. Em suma, a probabilidade de ocorrência de um evento é avaliada pelo nível no qual ele é similar às principais características do processo ou população a partir do qual ele foi originado (TONETTO et al, 2006).

A representatividade pode ser ilustrada através do exemplo de Steve (Tversky & Kahnemann, 1974), um indivíduo envergonhado e introvertido, disponível, mas com pouco interesse em pessoas, ou no mundo real. Trata-se de uma pessoa meiga e meticulosa, que precisa se organizar e se estruturar, demonstrando paixão por detalhes. Com base nessa descrição, como é possível estimar com segurança a ocupação profissional de Steve? Conforme os princípios que norteiam a heurística da representatividade, a probabilidade de Steve ser, por exemplo, um bibliotecário, dentre diversas outras ocupações, é avaliada a partir do grau com que ele é representativo ou similar ao estereótipo de um bibliotecário.

TONETTO, L. M. et al (2006)

Como pode perceber, a heurística da representatividade tem uma relação profunda com a construção e aplicação de estereótipos.

Viés da confirmação

Viés da confirmação é a tendência de lembrar, interpretar ou pesquisar por informações de maneira a confirmar crenças ou hipóteses do indivíduo. Neste caso, o indivíduo aceita a informação que confirme suas crenças, da mesma forma que rejeita as contraditórias.

O viés da confirmação pode ser visto como um “viés da fé”, por exemplo, para quem cresceu ouvindo dizer que tomar leite com manga faz mal a saúde, terá dificuldades de se desfazer desta crença, mesmo que existam informações contraditórias. Mas isto pode se dar com temas mais recentes ou menos sedimentados, como a sua crença em determinado político ou determinada prática recém aprendida.

As heurísticas são mecanismos cognitivos adaptativos que reduzem o tempo e os esforços nos julgamentos, mas que podem levar a erros e vieses de pensamento. A supressão da lógica favorece o estabelecimento de um círculo vicioso, já que, muitas vezes, os resultados dos julgamentos realizados por regras heurísticas são satisfatórios para o sujeito, o que torna a utilização de atalhos mentais frequentes e, portanto, os erros e vieses uma constante

TONETTO, L. M. et al (2006)

Indivíduo, sujeito, usuário, seja qual for a expressão que se deseja usar, é importante lembrar que no contexto das redes sociais, temos indivíduos humanos não humanos.

Além ou através das heurísticas, existem inúmeras variáveis que pode afetar o julgamento, assimilação e disseminação de determinada informação pelo indivíduo, tais como espiral do silêncio, agenda-setting e questões sociais e estéticas.

Mecanismos de credibilidade e disseminação

Fazer as informações chegarem as pessoas certas sempre foi objetivo da publicidade e da comunicação em geral. Antes da Internet isto se dava através da mídia tradicional, TV, rádio, jornal, revistas, e do burburinho que provocavam. O disseminador não conhecia os indivíduos que receberiam suas informações, e os tratava como “público alvo”, que se resumia a algumas características regionais, sociais, econômicas e culturais, que determinavam o seu recorte.

Com a chegada da Internet comercial, em meados da década de 90, os próprios usuários, conhecidos à época como “Internautas”, expressão que delineava uma categoria em si, de pessoas privilegiadas que possuíam a habilidade de “surfar” na onda da Internet. Depois de uma década de experimentações, guerra dos browsers, evolução do webdesign, das tecnologias, velocidade e formas de acesso, surgiu em 2004, o Orkut e o Gmail, e emerge o capitalismo de vigilância. Na verdade, em um levantamento histórico e sistêmico que fiz, identifiquei sua origem em 1994, a partir do conceito de “experiência do usuário”, cunhado por Nicolas Negroponte. Negroponte não previu e nem concebeu o capitalismo de vigilância, mas a partir da busca na compreensão e melhoria da “experiência do usuário”, se desenrolou uma extensa construção não coordenada, pavimentada por eventos, fatos, evolução tecnológico e políticas públicas, configurando no capitalismo de vigilância, no cenário atual da vigilância distribuída e nas práticas de modulação e comercialização de comportamentos.

Este cenário permite hoje, conhecer o indivíduo com profundidade, incluindo seu perfil psicométrico, interesses, classe social, estado civil, orientação sexual e ainda seus hábitos, deslocamentos e estado emocional em tempo real. Assim a informação pode ser encaminhada com precisão, o que é conhecido como micro-targeting, e ainda considerando seus interesses e estado emocional. Para chegar a este nível de precisão, o emissor da informação não necessita necessariamente ter um amplo conhecimento técnico, basta pagar e determinar as características do seu “alvo”. O Facebook, Google, Instagram e Twitter, seguem suas pegadas digitais, e faturam alto com isto.

Elisabeth Neolle-Neumann (1974) em seus estudos sobre a espiral do silêncio, observa que a comunicação midiática tem um impacto direto, mas reverbera pelo entorno, ou seja, dentro dos grupos sociais. E é inicialmente dentro destes grupos sociais que a espiral do silêncio inicia, o indivíduo costuma acatar a opinião dominante no grupo, mesmo não sendo a sua, com receio de ser isolado pelo grupo. A opinião defendida pelo grupo tende a ganhar ou perder força em função da sua percepção como opinião da maioria, e esta costuma ganhar uma força extraordinária quando reverberada pela mídia. Ainda com relação à mídia, existem três características que favorecem esta percepção:

  • Acumulação – Excesso de exposição na mídia.
  • Consonância – Informações semelhantes, complementares ou dissidentes veiculadas na mídia.
  • Ubiquidade – A mesma informação ou semelhantes exposta em diversos meios e veículos, de forma a parecer estar em todo lugar.

Na internet temos ainda algumas leituras neste sentido, quando a informação aparece no topo das buscas e são potencializada quando a maioria dos resultados se referem a ela. Nos feeds das redes sociais, por conta das bolhas criadas, as informações percebidas como dominantes, são aquelas que aparecem com mais frequência de forma acumulativa e consonante. Ao serem replicadas para bolhas e grupos em outras redes e feeds, o efeito da ubiquidade também é percebido.

Voltando ao conceito da espiral do silêncio, quando dois grupos possuem opiniões distintas, o que tiver maior disposição em defender a sua garantirá a dominância de opinião. Temos ainda o conceito de “agenda-seeting”, que mostram como os meios de comunicação criam estereótipos dialogando com as heurísticas dos indivíduos. Inumeráveis repetições podem construir um estereótipo no imaginário coletivo, produzindo associações no processo cognitivo dos indivíduos.

A forma como os indivíduos lidam com a tsunami de informações foi descrita por Doris Graber (1984), que em linhas gerais descreve que o indivíduo absorve informações que dialogam com seus vieses, e as armazenam parcialmente em esquemas mentais. É aqui que entra a agenda-seeting, que automaticamente associa e assimila informações ligadas a estereótipos, até mesmo se estes não estiverem presentes.

Antes de prosseguirmos vamos falar um pouco dos mecanismos de credibilidade. O primeiro é a factividade da informação, se for factível ela tem maior chance de ser absorvida como verdade, mesmo que esteja fora de contexto, validando outro significado. A plausibilidade também pode ser explorada como uma variantes de uma informação dominante, fazendo uso das heurísticas descritas acima, em especial a de disponibilidade e viés da confirmação. A credibilidade e reputação da fonte também são elementos que incrementam a credibilidade da informação, muitas vezes noticias antigas ou fora de contexto destas fontes são disseminadas com o intuito de desinformar, confundir ou construir narrativas. Veja esta citação do Tandoc:

Notícias falsas (fake news) se escondem sob um verniz de legitimidade, pois adquirem alguma forma de credibilidade, tentando parecer notícias verdadeiras. Além disso, indo além da aparência simples de uma simples peça de notícia, através do uso de bots de notícias, a notícia falsa imita a onipresença das notícias ao construir uma rede de sites falsos.

TANDOC et al (2018) Tradução nossa

Outro aspecto importante na formação da credibilidade da informação é a estética. Uma noticia bem escrita, bem diagramada, com figuras, infográficos, ou mesmo um vídeo bem produzido costumam dar mais credibilidade à informação. Quanto mais bem produzida, mais cheia de gráficos, fotos e imagens, maior a credibilidade percebida, assim como no vídeo, a iluminação, o ângulo da câmera, cenário, estética do locutor e sua linguagem corporal, e texto de sua fala produzem incrementos significativos na credibilidade.

Tanto no veículo impresso, como na Internet, as manchetes e disposição das noticias impactam no interesse do indivíduo, e neste aspecto, leituras sublimares são produzidas a partir da escolha das fotos e sua disposição. A foto de um político ao lado de uma manchete sobre corrupção o associa à notícia, mesmo que ele nem seja citado, e esteja sendo usado para outra noticia, principalmente se já existir um estereótipo construido com sua imagem. A imagem abaixo ilustra muito bem o que estou querendo dizer:

Reproducão

Na Internet, a prática da usabilidade trouxe para o web design novos conceitos, como descrevo:

A ciência da usabilidade trouxe para o Web Design algumas áreas de conhecimento da Ciência da Informação como arquitetura da informação, taxonomia e folksonomia, gestão do conhecimento, e também o cognitivismo, o estudo heurístico e o behaviorismo da psicologia. Trouxe aspectos positivos, como a redução da curva de aprendizagem, mediação visual de informações, colocando um pouco de organização no caos natural da Internet; mas também trouxe aspectos questionáveis como a capacidade de manipulação do comportamento do usuário pelo design.

CARIBÉ, J.C.R. , (2019)

Como disse, a usabilidade na internet trouxe a capacidade de manipulação do comportamento pelo design, e hoje com o design dinâmico, montado em tempo real a partir de verdadeiras fábricas algorítmicas, dão à mediação um poder que o Sergio Amadeu (2019) descreve como modulação.

A modulação é um processo de controle da visualização de conteúdos, sejam discursos, imagens ou sons. As plataformas não criam discursos, mas possuem sistemas algoritmos que distribuem os discursos criados pelos seus usuários, sejam corporações, sejam pessoas. Assim, os discursos são controlados e vistos, principalmente, por e para quem está dentro dos critérios que constituem as políticas de interação desses espaços virtuais.

SILVEIRA (2019)

O que se quer dizer é que na Internet, em especial nas redes sociais, as nossas interações e todas as informações, que descrevo neste post, neste outro post, neste artigo e neste outro artigo, são registradas, e não somente dentro das redes sociais, mas também fora delas, e mesmo que nem a estejamos acessando. O Share Lab fez um levantamento para identificar a “Fabrica algorítmica do Facebook”, que descrevo no artigo “Uma perspectiva histórica e sistêmica do capitalismo de vigilância“, conforme imagem abaixo.

Extraído do artigo “Uma perspectiva histórica e sistêmica do capitalismo de vigilância

Ou se preferir pode entender como a fabrica algorítmica do Facebook funciona no vídeo que fiz, abaixo.

No momento da determinação do alvo e construção do feed, todas as técnicas citadas anteriormente são aplicadas, seja naturalmente pelos algoritmos da rede social com base nos perfis coletados, ou seja por artifícios externos.

Este artifícios podem ser desde a compra de impulsionamentos, com foco em perfis detalhados, uso de perfis falsos e robôs, ou todos juntos. Em todas as três práticas de disseminação, o volume de publicações impactam na construção das espirais, de unanimidade, e na percepção do indivíduo fortalecendo seus vieses e crenças pela exploração de suas heurísticas cognitivas, e criando assim uma disseminação orgânica na construção de discursos dominantes, mesmo que falsos.

Por fim, no rol das práticas ilícitas de disseminação e construção de falsas verdades, somado aos fakes e bots, temos a exploração de vulnerabilidades, como detalha danah boyd neste artigo, mostrando como informações falsas podem ser inseridas no Google e YouTube explorando vulnerabilidades. No artigo ela também demonstra como estas explorações podem inclusive influenciar a mídia que é levada a publicar noticias fabricadas.

Como percebeu, fake news são muito mais do que noticias falsas, a desordem informacional, o fenômeno da desinformação é um processo que explora três campos: indivíduo, informação e mecanismos de disseminação e credibilidade.


Seminário Internet, Desinformação e democracia

Confira a íntegra do seminário Internet, Desinformação e democracia, promovido pelo NIC.Br em 24 de Julho de 2019 em São Paulo.

Parte 1 em Português
Parte 2 em Português

Bibliografia

BOYD, danah. The Fragmentation of Truth. Data & Society: Points. 2019. Disponível em: <https://points.datasociety.net/the-fragmentation-of-truth-3c766ebb74cf>. Acesso em: 14/jun./19.

CARIBÉ, J.C.R. Uma perspectiva histórica e sistêmica do capitalismo de vigilância. Revista Inteligência Empresarial, v.41, p. 5-13, 2019, ISSN: 1517-3860.

CIARELLI, G.; AVILA, M. A influência da mídia e da heurística da disponibilidade na percepção da realidade : um estudo experimental. Revista de Administração Pública FGV, v. 43, no 3, p. 541–562, 2009. ISSN: 00347612.

GRABER, D. A. Processing the news : how people tame the information tide. 1 ed. [s.l.]: Longman, 1984. 273 p. ISBN: 9780582285101.

MLODINOW, L. Subliminar: Como o inconsciente influencia nossas vidas. Zahar, 2013. 347 p. ISBN: 9788537810538.

NOELLE-NEUMANN, E. The Spiral of Silence – A Theory of Public Opinion. The journal of communication, [s.l.], v. 24, no 2, p. 43–51, 1974. ISBN: 1460-2466, ISSN: 0021-9916, DOI: 10.1111/j.1460-2466.1974.tb00367.x.

SILVEIRA, S. A. Da. A noção de modulação e os sistemas algorítmicos. A sociedade de controle: Manipulação e modulação nas redes digitais. Editora Hedra, 2019. p. 31–46. ISBN: 978-8577155286.

TANDOC, E. C.; LIM, Z. W.; LING, R. Defining “Fake News”: A typology of scholarly definitions. Digital Journalism, v. 6, no 2, p. 137–153, 2018. ISSN: 2167-0811, DOI: 10.1080/21670811.2017.1360143.

TONETTO, L. M. et al. O papel das heurísticas no julgamento e na tomada de decisão sob incerteza. Estudos de Psicologia, [s.l.], v. 23, no 2, p. 181–190, 2006. ISBN: 3953363190.


João Carlos Rebello Caribé

Mestrando em Ciência da Informação pela UFRJ (PPGCI), turma de 2017. Membro do Laboratório em Rede de Humanidades Digitais (LarHud) e do Estudos Críticos em Informação, Tecnologia e Organização Social (Escritos).

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