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Na finalização de minha dissertação comecei a perceber que o capitalismo de vigilância tem relação com todos os temas em destaque na atualidade, sendo quase um tema guarda chuva: filtro bolha, vigilância, privacidade, algoritmos, machine learning, deep learning, big data; assim como com a aplicação prática e conjunta destes temas como reconhecimento facial, reconhecimento emocional, perfis psicométricos e modelos comportamentais, rastreamento, remarketing e etc…

O tema da minha dissertação envolve descrever como e quanto a mediação algorítmica das redes sociais impacta nos regimes de verdade, crenças e valores da sociedade atual.

Um tema tão relevante, abrangente e atual quanto o capitalismo de vigilância, ainda não possuía nenhuma perspectiva histórica ou sistêmica. O registro que a própria Shoshana Zuboff fez esta relacionado as pesquisas de Hal R. Varian, e datam de eventos recentes. Em seu recente livro, a autora aprofunda um pouco mais nas questões históricas, no capitulo introdutório, mas ainda sim, de forma bem sucinta.

Quando e como o capitalismo de vigilância surgiu? Ele foi construido aos poucos, com base em oportunidades surgidas e criadas pelos avanços tecnológicos e mercadológicos, e por fatos e eventos ao longo do tempo? O quanto contribuímos para seu surgimento?

Estas foram as perguntas que nortearam minha pesquisa, para responde-las decidi pesquisar a fundo o tema em busca destas respostas, relacionando-as de forma cronológica e sistêmica, procurando compreender a origem do capitalismo de vigilância, resultando em um artigo publicado na Revista Inteligência Empresarial edição 41.

O artigo inicia em 1994, quando Nicolas Negroponte propôs a criação de um “agente inteligente” para melhorar a “experiência do usuário” com relação aos inúmeros canais da TV a cabo americana. A partir deste ponto desenrolo uma belíssima história da Internet comercial, passando pela “guerra dos browsers”, evolução tecnológica, mudanças nas formas e velocidades de conexão, a evolução do design e tecnologias de web design. Mas o artigo vai além, nele abordo outras questões como penetração dos mercados, governança da internet, estruturas e camadas da Internet, e questões futuras e emergentes.

O artigo construido por uma perspectiva ao mesmo tempo histórica e sistêmica, permite habilitar diversas camadas de interpretação. A compreensão de como a Internet promissora e empoderadora dos anos 90 chegou a este modelo estranho e restritivo da mediação algorítmica. Também permite observar como os diversos fatos e eventos foram sendo apropriados e forjados com o objetivo de desenvolver um novo mercado. Ainda na questão das camadas, o texto permite uma abordagem nostálgica que certamente envolverá outros pioneiros da Internet, como eu, no mais intenso “dejavue”. No fim das contas tudo que fiz, foi montar este quebra cabeça, que espero poder pavimentar novas perspectivas e estudos sobre diferentes temáticas relacionados à Internet, negócios, privacidade e capitalismo de vigilância.

O artigo completo esta disponível na Edição 41 da revista Inteligência Empresarial, publicada pelo CRIE (Centro de Referência em Inteligência Empresarial).


Em novembro de 2018 publiquei aqui o texto “Uma breve história do capitalismo de vigilância“, motivado pelo tema da redação do ENEM de 2018. Capitalismo de vigilância é um tema atual, sistematizado e cunhado por Shoshana Zuboff em diversos textos, e agora em seu mais recente livro, com mais de 700 páginas.


João Carlos Rebello Caribé

Mestrando em Ciência da Informação pela UFRJ (PPGCI), turma de 2017. Membro do Laboratório em Rede de Humanidades Digitais (LarHud) e do Estudos Críticos em Informação, Tecnologia e Organização Social (Escritos).

1 comentário

Estruturando o estudo das fake news – Panspectron · 01/08/2019 às 12:40

[…] interações e todas as informações, que descrevo neste post, neste outro post, neste artigo e neste outro artigo, são registradas, e não somente dentro das redes sociais, mas também fora delas, e mesmo que nem […]

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